Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever Clarice Lispector

segunda-feira, 31 de março de 2008

Para: Nathy, Lyssa, Maraya, Lêda, Val e Hay.

Somos amigas para, pagar a conta quando alguma estiver lisa, emprestar um vestido ainda novo, recomendar um paquera, dar carona pra festa, passar um sermão, caminhar no shopping, segurar a barra. Ir forçada para uma festa só para acompanhar a outra.
Porém isso não é tudo que vocês são para mim. Hoje preciso dizer que a amizade de vocês é indispensável. Os amigos são testemunhas do nosso passado, nosso espelho, através deles podemos nos olhar. Todas as minhas amigas são um complemento do que me falta. Com algumas já enfrentei com solidez grandes tempestades.
Minhas amigas não dividem só alegrias. Dividem lembranças, crises de choro, experiências. Dividem a culpa, dividem os segredos. Minhas amigas não emprestam apenas o vestido novo. Emprestam o tempo, emprestam o ombro, emprestam os sonhos, emprestam o calor e o amor. Minhas amigas não me recomendam só um paquera. Recomendam cautela, recomendam um emprego, recomendam uma alternativa. Elas não dão carona apenas pra festa. Dão carona pra o mundo delas, e topam conhecer o meu. Não passa apenas sermão. Passam comigo um aperto, passam junto o reveillon. Não caminham apenas no shopping. Andam em silêncio na dor, entram contigo em campo, saem do fracasso ao teu lado. Minhas Amigas não seguram a barra, apenas. Seguram a mão, a ausência, seguram uma confissão, seguram o tranco, o palavrão, seguram o impossível.
Meia dúzia de amigas assim ninguém tem. Se tiver uma, amém.
(Adaptação do texto Para que serve um amigo?, Martha Medeiros.)

Para você?

Para o meu pai eu sou fulô. Para os amigos apenas Ray. Para assunto sério Rayssa. Pra minha mãe sou linda. Para a Rafa só irmã. Para desconhecido pareço metida. Pra quem amo sou fiel. Pra Nathy xuxu. Para mim sou normal. Para os normais sou louca. Para os loucos, ímã. Pra Mica sempre fui petit. Pro meu espelho estou gorda. Pra academia preguiçosa. Para Lêda pé na jaca. Para o glitter, tenho amor. Pra quem não gosto, indiferença. Para mudanças, sou medo. Para o medo, arrisco. Pra conviver, bom humor. Para a vida, sou feliz.

Walt Disney

Toda mulher carrega a síndrome do Walt Disney. Espera seu príncipe chegar. Quer ser resgatada da torre de seu castelo. Quer ser libertada de todos os seus problemas por um cavalo branco. Fomos criadas para isso. Para um tipo de amor que não existe fora das telas de cinema. Para ser amadas como a mocinha da novelas que acompanhamos todos os dias. Preparadas para esperar um príncipe que não vai chegar.
Nossos "príncipes" da vida real, são bem menos arrebatadores. Não chegariam a morrer, literalmente, de amor, mas amam, do seu modo. Procuram estabilidade emocional. Não são um vulcão de emoções, que a qualquer momento pode entrar em erupção. Não tem cavalo branco, mas ralaram para comprar um carro legal. São gentis. No começo da relaçao sao ate cavalheiros. No meio também, algumas vezes. Mandam flores. Convidam para jantar. Setem ciumes.
Eu não quero mais um principe. Mas ando longe de querer um sapo também. Quero bom humor. Quero inteligencia acompanhada de sensibilidade. Quero carinhos. Quero olhares carinhosos. Quero conhecer seus defeitos. Aprender a conviver e quem sabe ate admirar algum desses defeitos. Quero estabilidade, nunca monotonia. Não quero mais um principe, prefiro sonhar com possibilidades reais. Mas, lá no fundo, no fundo, um pouquinho da carencia existencial herdada no berço jamais sera preenchida.

Gerânio

Ela que descobriu o mundo
E sabe vê-lodo ângulo mais bonito
Canta e melhora a vida, descobre sensações diferentes
Sente e vive intensamente
Aprende e continua aprendiz
Ensina muito e reboca os maiores amigos
Faz dança, cozinha, se balança na rede
E adormece em frente à bela vista
Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda
Conhece a Índia e o Japão e a dança haitiana
Fala inglês e canta em inglês
Escreve diários, pinta lâmpadas, troca pneus
E lava os cabelos com shampoos diferentes
Faz amor e anda de bicicleta dentro de casa
E corre quando quer
Cozinha tudo, costura, já fez boneco de pano
E brinco para a orelha, bolsa de couro, namora e é amiga
Tem computador e rede, rede para dois
Gosta de eletrodomésticos, toca piano e violão
Procura o amor e quer ser mãe, tem lençóis e tem irmãs
Vai ao teatro, mas prefere cinema
Sabe espantar o tédio
Cortar cabelo e nadar no mar
Tédio não passa nem por perto, é infinita, sensível, linda
Estou com saudades e penso tanto em você
Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda
(Nando Reis, Marisa Monte)

Clarice


"E ninguém é eu, e ninguém é você. Esta é a solidão."

Clarice Lispector
P.S: Clarice, minha alma tem muitos pesos também...Será que a Clarice Lispector lia meu coração? Às vezes, no auge do meu, egocentrismo confesso, penso que sim.

Culpa

O meu inferno é o céu para quem não sente culpa de nada!
"Interprete como quiser".

Miga Mica






Com certeza essa ligação já vem de outras vidas.
Química mesmo.
Tronco forte.